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NEU* - Desmitifica - Lepra x Hanseníase


“0 que é um hanseniano?
Se respondeu que é um leproso, ameaçado de ver pedaços de seu corpo caindo até à morte, cometeu dois enganos. Hanseníase não é lepra e nem o portador da doença apresenta essas características”.




Breves Considerações sobre Hanseníase (2, 5, 14, 19, 22, 29)
Mas o que é afinal a hanseníase?
É uma doença humana infecciosa e crônica, a menos contagiosa das doenças transmissíveis, causada por uma micobactéria, o M. leprae ou bacilo de Hansen, de alta infecciosidade (capacidade de penetrar em um grande número de indivíduos e neles se alojar e multiplicar); grande poder imunogênico (capaz de despertar os dois tipos de resposta imune: a humoral e a celular) e baixa patogenicidade (propriedade que depende em parte da relação com o hospedeiro).

O M. leprae ataca preferencialmente pele e nervos. Através do teste de Mitsuda, que mede grosseiramente a capacidade de reação do organismo ao micróbio, demonstra-se que aproximadamente 90% da população é resistente. Todavia, não se pode afirmar que estes indivíduos não chegarão a adoecer pois que a resistência está condicionada a fatores ambientais.

A transmissão se faz por via aerógena, através do contato íntimo e prolongado com doentes bacilíferos não tratados.

Nos indivíduos que adoecem a infecção evolui da forma indeterminada, de maneiras diferentes de acordo com a resposta imunológica do hospedeiro. Se a resposta for efetiva, produz-se uma forma localizada e não contagiosa chamada “tuberculóide”, se não, desenvolve-se uma forma generalizada e contagiosa chamada “virchowiana”. Entre esses dois pólos estão as formas intermediárias ditas dimorfas ou borderlines, tão variadas quanto as formas de resistência.

O período de incubação pode variar de alguns meses a vários anos. O tratamento ambulatorial é feito pela multidrogaterapia, uma combinação de medicamentos em esquemas-padrão adequados aos tipos de doentes, capaz de cessar a transmissão em pacientes virchowianos ou dimorfos e indeterminados mitsuda negativos (os únicos capazes de expelir bacilos) em cerca de duas semanas.

A cura advém após um período mínimo de seis meses para os pacientes paucibacilares (tuberculóides ou dimorfos e indeterminados mitsuda positivo) e de dois anos para os multibacilares (virchowianos ou dimorfos e indeterminados mitsuda negativo) podendo o tratamento estender-se enquanto necessário.

A hanseníase pode ser diagnosticada e em geral tratada sem deixar seqüelas quando instituído o tratamento precoce e correto. Quando não, pode levar a deformidades físicas favorecidas pela perda de sensibilidade que provoca em áreas determinadas, principalmente membros superiores e inferiores, ensejando ferimentos traumáticos, atrofias e em alguns casos reabsorções teciduais.



A Lepra, a Bíblia e o Símbolo


As versões da Bíblia que mencionam o termo lepra utilizam o artigo indefinido “uma” da expressão “uma lepra”, o que sugere algo indeterminado. Indivíduos afetados por outras doenças que não a hanseníase, como a leishmaniose tegumentar americana com mutilação nasal, podem ser identificados na categoria social de leprosos se apresentarem características morfológicas coincidentes com as imagens que definem esta categoria (11).

A passagem bíblica de Job e a lepra permite ver com clareza que a lepra foi a figura literária criada para exprimir o drama do homem frente às suas fraquezas, em relação ao poder infinitamente superior, que é Deus, e de seus próprios sentimentos de culpa, frente às suas fraquezas morais. Ser moral, o homem criou símbolos para representar o seu temor e a sua culpabilidade.

Aquela narrativa sugere que estão presentes fatores existenciais que transformaram a “lepra” em um símbolo da condição da existência humana correlacionada com seus mais sérios problemas metafísicos. Todavia, este simbolismo é passível de modificações. De Paula, 1984 (6) sugere que o estudo do Simbolismo na arte e na poesia permite atingir o significado profundo das figuras retóricas.

A razão ou inteligência, que elabora as concepções literárias (e também as criações artísticas), não é, tão somente, a razão lógica. Existe no interior da alma humana a fonte pré-conceitual do intelecto, com seu funcionamento não-racional (mas não irracional ou não lógico), que cumpre ser considerado, quando se pretende desvendar os significados dos simbolismos. Estas considerações ligeiras não permitem explicar mas ajudam na compreensão inicial do motivo pelo qual profissionais de saúde, no Terceiro Mundo, percebem como é vantajoso o uso da nomenclatura apropriada, que é de utilidade indiscutível.

O motivo apresentado por profissionais de saúde do Primeiro Mundo se prendem a questões de despesas de custeio e capital. Aqui é mais compreensível porque o “diabo” e a “lepra”, irmãos gêmeos da dor, são fortes apelos emocionais, que abrem as bolsas, como os revólveres nas mãos de salteadores nos coletivos, hoje, na cidade do Rio de Janeiro. O “bate-gato” é empregado e muito conhecido em todo o Brasil.

Hanseníase x Lepra
Advoga-se que a mudança da nomenclatura seja mais uma questão de invólucro do que de conteúdo. Rangel (23) diz: “a troca de nome, que traz em si o reflexo de uma forte carga moral, por outro pode ter um caráter pretensamente científico, e, portanto, livre de injunções que não sejam pertinentes à própria natureza biológica da doença, não significa que esta nova terminologia, não será também, fruto de representação, pois o caráter misterioso da doença é um dos principais fatores responsáveis pelas metáforas criadas em torno dela. Qualquer moléstia importante cuja causa é obscura e cujo tratamento é ineficaz tende a ser sobrecarregada de significação. Primeiro, os objetos do medo mais profundo (corrupção, decadência, poluição, anemia, fraqueza) são identificados com a doença. A própria doença torna-se uma metáfora”.

Rangel (23) embasa sua opinião apoiado no depoimento de uma médica que evidencia menos o caráter misterioso da doença e mais o despreparo em Infectologia. Afinal, causa obscura e ineficaz não podem ser aplicados à infecção bacteriana sensível a antimicrobianos diversos. Cremos que nem na AIDS se pode hoje pensar desta forma.

Estando o estigma ligado a valores culturais, sua estabilidade ou transformação depende em grande parte da estabilidade ou transformação desses valores. É nesse nível que o problema da hanseníase precisa ser trabalhado. É claro que esse trabalho é facilitado quando estamos diante da hanseníase. Reconhecida inicialmente como doença infecciosa, relativamente benigna, “pouco contagiosa”, não letal e microbiologicamente curável torna-se difícil iniciar o processo padagógico de transformação apoiado na doença social grave que se coloca em torno de um núcleo físico relativamente pouco importante.

Em Rangel (23) ainda encontramos o
depoimento favorável: “Eu tenho uma sobrinha de 25 anos que desde que nasceu até o dia em que vim para cá ela dormia comigo e não tem absolutamente nada. E eu estava positiva, porque eu não fazia tratamento”.


A educação sanitária bem planejada, orientada e executada será um dos elementos mais importantes de qualquer programa de saúde pública, a ser implantado com a participação indispensável da comunidade a que se destina e fundamentado nas técnicas educacionais e de comunicação social. É através dela que as pessoas aceitam ou não informações e valores sobre a doença, mudam ou adquirem atitudes e práticas frente ao problema. Ela informará com cautela e habilidade o diagnóstico, o agente etiológico, a maneira de transmissão, os sinais e sintomas iniciais, o valor do tratamento, as medidas higiênicas e de prevenção.


"RECORTES"  do texto ( HANSENÍASE, A LEPRA E A COMUNICAÇÃO DIRIGIDA (Monografia)) apresentado ao 17° Encontro Nacional dos Estudantes de Enfermagem, Universidade Estadual do Ceará, Fortaleza, Ceará. Julho, 1994. Classificado em 5º lugar entre os quarenta e seis trabalhos apresentados.

ANDRÉA ROSA - Aluna do terceiro período da Escola de Enfermagem Anna Néry da Universidade Federal do Rio de Janeiro.

DR. LUIZ CARLOS FORMIGA - Professor Adjunto do Departamento de Microbiologia Médica do IM/ UFRJ e Faculdade de Ciências Médicas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.

RICARDO FREITAS
- ProfessorAdjunto do Departamento de Relações Públicas da Faculdade de Comunicação Social da UERJ.


Referências Bibliográficas
1. BARBUS, A.J. (1986). O paciente terminal e a pessoa que o assiste. Revista Brasileira de Enfermagem, Brasília - DF, 39:50.
2. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria Nacional de Ações Básicas de Saúde. Divisão Nacional de Epidemiologia (1986). Guia de Vigilância Epidemiológica. Centro de Documentação/MS, Brasília - DF, 107-110.
3. BRASIL. Ministério da Saúde. Divisão Nacional de Dermatologia Sanitária. (1987). Hanseníase: Fenômeno Social do Estigma. DNDS/MS, Brasília - DF, 1:15-63.
4. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria Nacional de Programas Especiais da Saúde. Divisão Nacional de Dermatologia Sanitária. (1987). Capacitação do Instrutor/Supervisor/Enfermeiro na Área de Controle de Hanseníase. DNDS, Brasília - DF, 9-10.
5. BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria Nacional Programas Especiais da Saúde. Divisão Nacional de Dermatologia Sanitária (1989). Controle da Hanseníase: uma proposta de integração ensino-serviço: DNDS/NUTES, Rio de Janeiro, 13-78.
6. DE PAULA, A.S.V. (1984). Hanseníase, literatura e condição humana. Revista da Associação Médica., Minas Gerais, BH, 35:28-30.
7. FORMIGA, L.C.D. (1987). A hanseníase, a caridade, a lepra e a prioridade institucional. Aurora, Rio de Janeiro, 9(33):32-33
8. FORMIGA, L.C.D. (1988). Uma Mancha Anestésica Social. Revista Brasileira de Patologia Clínica, Rio de Janeiro. 24(2):11; O Globo (país, ciência e vida). Assembléia Nacional Constituinte, 1988 (ver ref. 18), 17 de maio, Brasília, DF.
9. FORMIGA, L.C.D. (1992). Idéias para uma "Declaração de Direitos do Paciente Terminal". Jornal Espírita, São Paulo, 18(285):6-7. Revista de Enfermagem.
10. FERRO, E.R. & FONSECA, P.H.M. (1987). A Educação sanitária na luta contra a Hanseníase. Arquivos Brasileiros de Medicina, Rio de Janeiro, 61(5):343-345.
11. FURTADO, T. (1987). Ensino de Hansenologia nas Universidades. Anais Brasileiros de Dermatologia, Rio de Janeiro, 62(1):270-272.
12. GANDRA JUNIOR, D. da S. (1970). A Lepra - Uma Interpretação do Fenômeno Social de Estigmatização, Belo Horizonte, Tese de Doutoramento.
13. G0FFMAN, E. (1980). Estigma: notas sobre a manipulação da identidade deteriorada. 3a. edição. Zahar, Rio de Janeiro, 158 p.
14. GOMES, R.O.; FORMIGA, L.B. & MACAMBIRA, R.P. (1994). Hanseníase. Jornal Brasileiro de Medicina, Rio de Janeiro, 66(3):147-153.
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16. KUNSCH, M.M.K. (1986). Planejamento de relações públicas na comunicação integrada, Summus Editorial, São Paulo, 172 p.
17. MORHAN, CARTILHA DO. (1993). Caminhe conosco. 1a. edição, Assessoria Gráfica Editorial, São Paulo.
18. MURAD, E. (1988). Assembléia Nacional Constituinte. 17 de maio. Brasília, DF.
19. ORGANIZAÇÃO PAN-AMERICANA DE SAÚDE. (1983). Controle das Doenças Transmissíveis no Homem. Relatório Oficial da Associação Saúde Pública, México, 442:178-180.
20. PEDRAZZANI, E.S.; TOYODA, C.Y.; BROGNHARA, M.A. & MALUF, S.A. (1986). Controle dos comunicantes: sua interferência na situação epidemiológica da Hanseníase. Hansenologia Internationalis, 11(1/2):44-54.
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22. PERNAMBUCO, J.C.A. & FLEURY, R.N. (1982). Hanseníase. In: Melaraguo, R.F. Neuroimunologia. 3a. edição. Sarvier, Rio de Janeiro, 24:333-344.
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http://www.jornaldosespiritos.com/2007.3/ultimahora42.htm





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Juli Lima
Enviado por Juli Lima em 09/01/2010
Alterado em 03/02/2010
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